ENTREVISTA: Vladimir Bomfim
por João Carlos Victor

Vladimir Bomfim é natural de Salvador e oriundo dos cursos de oficina de violao da Escola de Música da UFBA, tomou suas primeiras aulas de violão com Ana Cristina Tourinho. Formou-se em violão pela UFBA sob orientação de Mario Ulloa e especializou-se em "performance" no Conservatoire National de Strasbourg, na França, com Pablo Márquez.
Recebeu os prêmios de 2° lugar do "III Concours International d'Orleans", 2° lugar do "III Concours International de Fontainebleau", nesse mesmo período, além do 1° lugar "Concurso Nacional Souza Lima" e "Concurso Musicales", no Brasil.
Seu interesse pela música atual o levou a estrear obras de Ivan Fedele, Aldo Brizzi e a gravar obras de Leonardo V. Boccia.
Atuou como solista e camerista com "In-extremis", "Opera de Strasbourg", "Orquestra Sinfônica da UFBA" e "Orchestre Philarmonique de Strasbourg".
Como foi o seu primeiro contato com o violão?
Dentro de casa, com minha mãe e no prédio onde até hoje mora a minha família. Eu tinha vários amigos que tocavam MPB, uns que tocavam bandolim e eu os acompanhava tocando choro. Minha mãe me ensinou "Woman no Cry" de Bob Marley... (risos) depois aprendi mais umas três com meu irmão. Também com uns colegas na rua, a gente "colava" pra saber como eles faziam aquela "batida" de samba, bossa nova e nisso passei uns dois, três anos. Foi quando tomei gosto pela música instrumental e fui me informando como fazia para estudar numa escola de música, se precisava de teste.
Você estudou desde cedo com o Mário Ulloa, fale mais sobre esse início e sua entrada na universidade.
Rapaz... Eu tive muita sorte porque na época que comecei a estudar nas oficinas de violão da Escola de Música da UFBA com a professora Cristina Tourinho, Mário ainda aceitava alunos do curso básico para estudar com ele. De lá pra cá as coisas mudaram, mas enfim, eu pude estudar um ano e meio com ele antes mesmo de poder entrar na universidade. Foi uma bagagem indispensável para o vestibular por exemplo, para poder entrar na universidade, porque ele já me deu instruções mais sólidas com relação à performance, com relação à música. Naquela época eu tinha um nível de solfejo abaixo da crítica (risos) e ele foi orientando como eu poderia trabalhar os meus pontos fracos para poder ingressar na universidade e aumentar o nível do meu repertório.
Fale um pouco sobre sua experiência no circuito nacional de violão: concertos, concursos, festivais etc no período da sua graduação.
Eu comecei a viajar em 95 acho, fui atrás de professores no sul do país, conhecer a opinião deles. Confrontar-me comigo mesmo, mas através da orientação de outras pessoas que não fossem meu professor. Nessa história viajei bastante, conheci figuras importantíssimas, violonistas de grande porte como Edelton, Everton, Eduardo Fernandez, Eduardo Isaac, Nicolas Souza Barros etc. E participei de alguns concursos nesse período como o Musicalis e o Souza Lima. Mas o que realmente me marcou foram os cursos e master classes, porque aqui em Salvador de uma certa maneira, não só para violão mas para música, nós estamos completamente ilhados, as distâncias são grandes, os centros musicais do Brasil estão bem distantes da gente e apesar da sorte de termos um Mario Ulloa perto, tem outras coisas se a buscar também.
Depois de formado você foi para Strasburgo (França), onde estudou com o Pablo Márquez, conte-nos um pouco como foi esse contato com o Pablo e sua ida para lá.
Minha ida para França estudar com o Pablo Márquez a principio foi um pouco por acaso porque eu fui indicado por Eduardo Fernandez, que me dizia que a mente mais aberta que ele conheceu para a música entre os violonistas que davam curso na Europa era o Pablo Márquez. Mas eu cheguei meio por acaso, achava ainda que Strasburgo era na Alemanha (risos) não sabia se era na França ou na Alemanha (risos) e de Pablo eu só tinha as referências de histórias que me contavam dele, mas a partir do momento que eu tive essa recomendação, fui procurar me informar, escutar gravações, enfim... Mas, o conhecia muito pouco na verdade, mas nunca deixei ele descobrir o quanto eu conhecia pouco sobre ele, sempre disse que conhecia e sabia tudo.
Na França você teve oportunidade de trabalhar mais intensamente com a música contemporânea primeiramente, e depois com música antiga, poderia falar sobre essas duas fases?
Na verdade o que eu fiz foi um trabalho paralelo. Fiz uma formação de música antiga que muitos músicos, muitos violonistas de outras áreas, de outros domínios do conservatório também fazem. Mesmo os estudantes de jazz fazem estudos de música antiga e eu sempre fiz estudo de música antiga em paralelo. Minha formação com Pablo oficialmente era uma especialização em música moderna e eu finalmente trabalhei muito mais música contemporânea com ele que outra coisa, e em paralelo eu estudava música antiga.
Essa opção de trabalhar música contemporânea foi sua, ou foi pedido do Pablo?
Foi opção minha e para a minha felicidade caí no meio certo porque o Conservatório de Strasburgo tem história com música contemporânea. Os grupos de Câmara da cidade de Strasburgo são muito conhecidos. Tem o festival Musica que é o mais forte em música contemporânea na Europa e que é co-organizado pelos diretores do Conservatório. Lá, eles têm uma atividade relativamente intensa com a música contemporânea e para mim foi perfeito nesse sentido porque nessa época para mim a coisa que mais interessava era escutar coisas novas, onde eu sentisse que estava sendo o primeiro a ouvir, isso foi muito importante. O repertório, claro, depois você descobre não somente o que há para violão, mas também para outros instrumentos. Enfim, música contemporânea como um todo. Isso marcou muito minha vida e não quero me desconectar disso.
Você chegou a trabalhar numa ópera tocando violão!
Sim. Tenho impressão q na Europa, um dos diferenciais é que lá eles investem na cultura de uma maneira geral. O nível de interesse é um pouco conseqüência do investimento. Se você tem por exemplo: uma televisão que passa jogos do Flamengo e Corinthians o tempo todo, claro que as pessoas vão se interessar mais por esses times, então é o jogo de causa e conseqüência. Se a televisão passasse mais os jogos do Sport, Náutico e Santa Cruz, iriam ter mais torcedores do Sport, Náutico e Santa Cruz... É mais ou menos isso que acontece lá. Você tem hoje na Europa muita gente que consome música antiga, contemporânea por exemplo, mas vá ver a quantidade de investimento que há na música antiga... Todos os conservatórios da Europa hoje tem um departamento de música antiga, todas as lojas de discos tem uma seção de música antiga, ou seja, que o concerto de música antiga tenha sala lotada lá e não aqui, se a gente for procurar justificativa só no mercado, não dá certo. Mas eles têm um outro nível de investimento. Existem muitos teatros que sempre estão limpos, perfumados, com conforto para o público...É uma mistura de muitas coisas, mas de qualquer maneira, o nível de interesse do lado de lá é muito forte para muitas coisas como música contemporânea e música antiga, e aqui nós estamos realmente muito reféns da nossa degradação espiritual, cultural.
Conte-nos sobre seus estudos de música antiga, como começou esse interesse em aprofundar seus conhecimentos e com quem você estudou?
Logo que eu descobri que tinha o curso de música antiga no Conservatório, não pensei duas vezes e me inscrevi para fazer Baixo Contínuo, Interpretação de Música Antiga e Dança Barroca. Estudei essencialmente com um alaudista que se chama Iasunori Imamura, que é um japonês que está instalado em Strasburgo já há muito tempo e depois com outro alaudista que substituía Imamura de vez em quando, que se chama Thorsten Bleich, alaudista alemão. Era interessante porque tinham opiniões diferentes e às vezes o professor viajava e passava um tempo fora e o substituto vinha com outras idéias. Foi muito interessante poder confrontar meus trabalhos de interpretação de Música Antiga também com Pablo que é um bom conhecedor da matéria.
Você estudou com o Mário Ulloa e posteriormente com o Pablo Márquez, poderia falar da importância de cada um deles na sua formação violonística?
Mário me deu a base musical, a base... Como posso dizer... Ele me instruiu, deu direcionamento para o trabalho, me ensinou sobretudo método, como trabalhar, como não perder tempo, me deu um coração musical digamos assim... Ou seja,... Deu uma raiz onde me apoiar, vontade de ser violonista porque ele toca muito, sempre foi o tipo de cara que pega o violão e mostra realmente como é que se faz, sempre teve iniciativa de tocar pra gente as coisas que ele estudava e aos poucos ele foi dispertando na gente uma vontade de ser violonista, pra todos os meus colegas era da mesma forma. A diferença principal com o trabalho com Pablo é que eu cheguei num ambiente novo onde não haviam só pessoas novas e a maioria das pessoas com quem ele trabalhava já eram de um nível musical muito interessante e que estavam lá para se especializar em alguma coisa em particular e não necessariamente abranger uma formação completa onde eu teria todas as informações básicas para todos os estilos por exemplo, que foi mais o caso de Mário que queria me dar uma base e que fazia um pouco de tudo, até que eu tivesse o mínimo de referência para poder me desenvolver e com Pablo foi uma escolha de desenvolvimento sobre um ou dois aspectos.
Agora que terminou seus estudos de violão, o que vem pela frente? Quais são os seus planos?
Sei lá... (risos) não, não é verdade... Agora vem a parte mais difícil, mas a mais deliciosa que é de aplicar muitas coisas, tomar o tempo para digerir tanta informação, de encontrar grandes parceiros pra tocar e de confrontar algumas coisas da vida real de músico que não se aprende em conservatório, que não se aprende em universidade, e em paralelo continuar minha formação de músico, completar aquelas lacunas, aquelas coisas que sempre desejei estudar e que não dependem necessariamente de um professor de violão.
Agora, uma pergunta que muitos estão esperando: Que violão você usa?
Eu tenho um violão do Jean-Nohel Roe. É um luthier francês. É jovem, deve ter a minha idade mais ou menos, uns 27, 28 anos. É um violão de cedro que me conquistou por não ter aquele "defeito" do violão de cedro, pois tem um som muito claro e nítido.
O que você diria a um iniciante que pretende ser um Vladimir Bomfim da vida?
Só não seja um Vladimir... (risos). A um iniciante do violão?
Sim
Estude muito meu filho, antes que o mundo se acabe!

Você lixaria e poliria as unhas de quem?
De... João Carlos Victor
Que sonho você ainda não realizou?
Bahia Bi-Campeão Brasileiro!!
Que compositor você gostaria de tocar mais ainda não pôde?
Gostaria muito de fazer uns arranjos de Chico Buarque, mas ainda não comecei...
Qual o pior fardo do violonista: cuidar das unhas, ter que tocar aquela da novela ou ter que pagar as contas no final do mês?
O pior fardo do violonista é entrar numa roda de um monte de mulheres bonitas, começar a tocar, conquistar todas as mulheres, continuar tocando, continuar tocando, ver seus amigos pegarem todas as mulheres e no final das contas você só serviu para animar a noite e não pegou ninguém... (risos)
Que recado você gostaria de deixar para os visitantes do Violão.Clássico.Weblog?
Queridos amigos: prazer em conhecê-los! É com muita alegria que deixo aqui o meu depoimento. Espero que tenha sido válido para alguns, mas sobretudo, não deixem de me contactar!
Grande Vladimir, obrigado pela entrevista!
Para entrar em contato com Vladimir Bomfim mande um e-mail para vladimirbomfim arroba hotmail.com
por João Carlos Victor

Vladimir Bomfim é natural de Salvador e oriundo dos cursos de oficina de violao da Escola de Música da UFBA, tomou suas primeiras aulas de violão com Ana Cristina Tourinho. Formou-se em violão pela UFBA sob orientação de Mario Ulloa e especializou-se em "performance" no Conservatoire National de Strasbourg, na França, com Pablo Márquez.
Recebeu os prêmios de 2° lugar do "III Concours International d'Orleans", 2° lugar do "III Concours International de Fontainebleau", nesse mesmo período, além do 1° lugar "Concurso Nacional Souza Lima" e "Concurso Musicales", no Brasil.
Seu interesse pela música atual o levou a estrear obras de Ivan Fedele, Aldo Brizzi e a gravar obras de Leonardo V. Boccia.
Atuou como solista e camerista com "In-extremis", "Opera de Strasbourg", "Orquestra Sinfônica da UFBA" e "Orchestre Philarmonique de Strasbourg".
Como foi o seu primeiro contato com o violão?
Dentro de casa, com minha mãe e no prédio onde até hoje mora a minha família. Eu tinha vários amigos que tocavam MPB, uns que tocavam bandolim e eu os acompanhava tocando choro. Minha mãe me ensinou "Woman no Cry" de Bob Marley... (risos) depois aprendi mais umas três com meu irmão. Também com uns colegas na rua, a gente "colava" pra saber como eles faziam aquela "batida" de samba, bossa nova e nisso passei uns dois, três anos. Foi quando tomei gosto pela música instrumental e fui me informando como fazia para estudar numa escola de música, se precisava de teste.
Você estudou desde cedo com o Mário Ulloa, fale mais sobre esse início e sua entrada na universidade.
Rapaz... Eu tive muita sorte porque na época que comecei a estudar nas oficinas de violão da Escola de Música da UFBA com a professora Cristina Tourinho, Mário ainda aceitava alunos do curso básico para estudar com ele. De lá pra cá as coisas mudaram, mas enfim, eu pude estudar um ano e meio com ele antes mesmo de poder entrar na universidade. Foi uma bagagem indispensável para o vestibular por exemplo, para poder entrar na universidade, porque ele já me deu instruções mais sólidas com relação à performance, com relação à música. Naquela época eu tinha um nível de solfejo abaixo da crítica (risos) e ele foi orientando como eu poderia trabalhar os meus pontos fracos para poder ingressar na universidade e aumentar o nível do meu repertório.
Fale um pouco sobre sua experiência no circuito nacional de violão: concertos, concursos, festivais etc no período da sua graduação.
Eu comecei a viajar em 95 acho, fui atrás de professores no sul do país, conhecer a opinião deles. Confrontar-me comigo mesmo, mas através da orientação de outras pessoas que não fossem meu professor. Nessa história viajei bastante, conheci figuras importantíssimas, violonistas de grande porte como Edelton, Everton, Eduardo Fernandez, Eduardo Isaac, Nicolas Souza Barros etc. E participei de alguns concursos nesse período como o Musicalis e o Souza Lima. Mas o que realmente me marcou foram os cursos e master classes, porque aqui em Salvador de uma certa maneira, não só para violão mas para música, nós estamos completamente ilhados, as distâncias são grandes, os centros musicais do Brasil estão bem distantes da gente e apesar da sorte de termos um Mario Ulloa perto, tem outras coisas se a buscar também.
Depois de formado você foi para Strasburgo (França), onde estudou com o Pablo Márquez, conte-nos um pouco como foi esse contato com o Pablo e sua ida para lá.
Minha ida para França estudar com o Pablo Márquez a principio foi um pouco por acaso porque eu fui indicado por Eduardo Fernandez, que me dizia que a mente mais aberta que ele conheceu para a música entre os violonistas que davam curso na Europa era o Pablo Márquez. Mas eu cheguei meio por acaso, achava ainda que Strasburgo era na Alemanha (risos) não sabia se era na França ou na Alemanha (risos) e de Pablo eu só tinha as referências de histórias que me contavam dele, mas a partir do momento que eu tive essa recomendação, fui procurar me informar, escutar gravações, enfim... Mas, o conhecia muito pouco na verdade, mas nunca deixei ele descobrir o quanto eu conhecia pouco sobre ele, sempre disse que conhecia e sabia tudo.
Na França você teve oportunidade de trabalhar mais intensamente com a música contemporânea primeiramente, e depois com música antiga, poderia falar sobre essas duas fases?
Na verdade o que eu fiz foi um trabalho paralelo. Fiz uma formação de música antiga que muitos músicos, muitos violonistas de outras áreas, de outros domínios do conservatório também fazem. Mesmo os estudantes de jazz fazem estudos de música antiga e eu sempre fiz estudo de música antiga em paralelo. Minha formação com Pablo oficialmente era uma especialização em música moderna e eu finalmente trabalhei muito mais música contemporânea com ele que outra coisa, e em paralelo eu estudava música antiga.
Essa opção de trabalhar música contemporânea foi sua, ou foi pedido do Pablo?
Foi opção minha e para a minha felicidade caí no meio certo porque o Conservatório de Strasburgo tem história com música contemporânea. Os grupos de Câmara da cidade de Strasburgo são muito conhecidos. Tem o festival Musica que é o mais forte em música contemporânea na Europa e que é co-organizado pelos diretores do Conservatório. Lá, eles têm uma atividade relativamente intensa com a música contemporânea e para mim foi perfeito nesse sentido porque nessa época para mim a coisa que mais interessava era escutar coisas novas, onde eu sentisse que estava sendo o primeiro a ouvir, isso foi muito importante. O repertório, claro, depois você descobre não somente o que há para violão, mas também para outros instrumentos. Enfim, música contemporânea como um todo. Isso marcou muito minha vida e não quero me desconectar disso.
Você chegou a trabalhar numa ópera tocando violão!
Sim. Tenho impressão q na Europa, um dos diferenciais é que lá eles investem na cultura de uma maneira geral. O nível de interesse é um pouco conseqüência do investimento. Se você tem por exemplo: uma televisão que passa jogos do Flamengo e Corinthians o tempo todo, claro que as pessoas vão se interessar mais por esses times, então é o jogo de causa e conseqüência. Se a televisão passasse mais os jogos do Sport, Náutico e Santa Cruz, iriam ter mais torcedores do Sport, Náutico e Santa Cruz... É mais ou menos isso que acontece lá. Você tem hoje na Europa muita gente que consome música antiga, contemporânea por exemplo, mas vá ver a quantidade de investimento que há na música antiga... Todos os conservatórios da Europa hoje tem um departamento de música antiga, todas as lojas de discos tem uma seção de música antiga, ou seja, que o concerto de música antiga tenha sala lotada lá e não aqui, se a gente for procurar justificativa só no mercado, não dá certo. Mas eles têm um outro nível de investimento. Existem muitos teatros que sempre estão limpos, perfumados, com conforto para o público...É uma mistura de muitas coisas, mas de qualquer maneira, o nível de interesse do lado de lá é muito forte para muitas coisas como música contemporânea e música antiga, e aqui nós estamos realmente muito reféns da nossa degradação espiritual, cultural.
Conte-nos sobre seus estudos de música antiga, como começou esse interesse em aprofundar seus conhecimentos e com quem você estudou?
Logo que eu descobri que tinha o curso de música antiga no Conservatório, não pensei duas vezes e me inscrevi para fazer Baixo Contínuo, Interpretação de Música Antiga e Dança Barroca. Estudei essencialmente com um alaudista que se chama Iasunori Imamura, que é um japonês que está instalado em Strasburgo já há muito tempo e depois com outro alaudista que substituía Imamura de vez em quando, que se chama Thorsten Bleich, alaudista alemão. Era interessante porque tinham opiniões diferentes e às vezes o professor viajava e passava um tempo fora e o substituto vinha com outras idéias. Foi muito interessante poder confrontar meus trabalhos de interpretação de Música Antiga também com Pablo que é um bom conhecedor da matéria.
Você estudou com o Mário Ulloa e posteriormente com o Pablo Márquez, poderia falar da importância de cada um deles na sua formação violonística?
Mário me deu a base musical, a base... Como posso dizer... Ele me instruiu, deu direcionamento para o trabalho, me ensinou sobretudo método, como trabalhar, como não perder tempo, me deu um coração musical digamos assim... Ou seja,... Deu uma raiz onde me apoiar, vontade de ser violonista porque ele toca muito, sempre foi o tipo de cara que pega o violão e mostra realmente como é que se faz, sempre teve iniciativa de tocar pra gente as coisas que ele estudava e aos poucos ele foi dispertando na gente uma vontade de ser violonista, pra todos os meus colegas era da mesma forma. A diferença principal com o trabalho com Pablo é que eu cheguei num ambiente novo onde não haviam só pessoas novas e a maioria das pessoas com quem ele trabalhava já eram de um nível musical muito interessante e que estavam lá para se especializar em alguma coisa em particular e não necessariamente abranger uma formação completa onde eu teria todas as informações básicas para todos os estilos por exemplo, que foi mais o caso de Mário que queria me dar uma base e que fazia um pouco de tudo, até que eu tivesse o mínimo de referência para poder me desenvolver e com Pablo foi uma escolha de desenvolvimento sobre um ou dois aspectos.
Agora que terminou seus estudos de violão, o que vem pela frente? Quais são os seus planos?
Sei lá... (risos) não, não é verdade... Agora vem a parte mais difícil, mas a mais deliciosa que é de aplicar muitas coisas, tomar o tempo para digerir tanta informação, de encontrar grandes parceiros pra tocar e de confrontar algumas coisas da vida real de músico que não se aprende em conservatório, que não se aprende em universidade, e em paralelo continuar minha formação de músico, completar aquelas lacunas, aquelas coisas que sempre desejei estudar e que não dependem necessariamente de um professor de violão.
Agora, uma pergunta que muitos estão esperando: Que violão você usa?
Eu tenho um violão do Jean-Nohel Roe. É um luthier francês. É jovem, deve ter a minha idade mais ou menos, uns 27, 28 anos. É um violão de cedro que me conquistou por não ter aquele "defeito" do violão de cedro, pois tem um som muito claro e nítido.
O que você diria a um iniciante que pretende ser um Vladimir Bomfim da vida?
Só não seja um Vladimir... (risos). A um iniciante do violão?
Sim
Estude muito meu filho, antes que o mundo se acabe!

Você lixaria e poliria as unhas de quem?
De... João Carlos Victor
Que sonho você ainda não realizou?
Bahia Bi-Campeão Brasileiro!!
Que compositor você gostaria de tocar mais ainda não pôde?
Gostaria muito de fazer uns arranjos de Chico Buarque, mas ainda não comecei...
Qual o pior fardo do violonista: cuidar das unhas, ter que tocar aquela da novela ou ter que pagar as contas no final do mês?
O pior fardo do violonista é entrar numa roda de um monte de mulheres bonitas, começar a tocar, conquistar todas as mulheres, continuar tocando, continuar tocando, ver seus amigos pegarem todas as mulheres e no final das contas você só serviu para animar a noite e não pegou ninguém... (risos)
Que recado você gostaria de deixar para os visitantes do Violão.Clássico.Weblog?
Queridos amigos: prazer em conhecê-los! É com muita alegria que deixo aqui o meu depoimento. Espero que tenha sido válido para alguns, mas sobretudo, não deixem de me contactar!
Grande Vladimir, obrigado pela entrevista!
Para entrar em contato com Vladimir Bomfim mande um e-mail para vladimirbomfim arroba hotmail.com
